Após tratamento; deputado fará campanha contra câncer de próstata

O deputado Ricardo Barbosa (PSB) disse que vai se empenhar, como presidente da Comissão Permanente de Saúde da Assembleia Legislativa da Paraíba, em difundir uma campanha de conscientização para prevenção do câncer de próstata na Paraíba. Na última quinta-feira, o deputado ocupou a tribuna da AL para, num discurso emocionado, comunicar que estava acometido da doença e que vai se submeter a uma cirurgia, neste mês de agosto, em São Paulo.

“Como presidente da Comissão Permanente de Saúde desta Casa, devo me pronunciar e encetar movimentos e gestão junto às esferas públicas objetivando o maior conhecimento desse grave e aflitivo problema, bem como focar na conscientização da necessidade, para os homens na faixa etária já citada, buscarem no acompanhamento clínico a prevenção e o controle desse mal”, disse ele.

O deputado citou a obra de Maurício Lara, “Com Todas as Letras”um livro-reportagem que descreve o câncer, do ponto de vista da vítima e do cidadão comum. Nele o autor revela a relação da sociedade brasileira com os tabus e estigmas que circundam a doença. “Sua contribuição é importante quando examina, pelo menos, quatro barreiras enfrentadas pelos homens até que eles busquem se tratar, precocemente, do câncer de próstata; quais sejam: a informação, preconceito, acesso e o medo. Não terei tempo de examinar estas barreiras. Meu alerta tem o afã de despertar toda sociedade, especialmente, os homens para que transponham estes empecilhos e previnam-se contra este inimigo comum”, destacou o parlamentar.

Leia, na íntegra, o discurso de Ricardo Barbosa sobre sua doença.

Audiência das galerias, servidores deste Poder, companheiros jornalistas, telespectadoras e telespectadores da TV Assembleia, Senhor Presidente colegas deputados:

 

Este é um momento que não imaginei viver e, mais que isso, se houvesse seguido o aconselhamento dos poucos que se fizeram conhecedores das minhas recentes confidências, não iria partilhá-lo com Vossas Excelências, tampouco torná-lo público.

 

Todavia, a vida e os legados familiares me ensinaram, desde a primeira infância, a pautar-me, sempre, tomando como premissa basilar de conduta: a VERDADE!

 

Em torno do anúncio que ontem prometi fazer-lhes e que agora dou início, é-me imperativo lhes antecipar um aspecto absolutamente fundamental: não há, presentemente, sofrimento físico; dores que mutilem meu corpo; nem tristeza ou angústia que inquietem a minha alma. Mas, igualmente, assevero-lhes: estou acometido de uma enfermidade que requer imediato cuidado médico-cirúrgico e, em decorrência, não hesitarei em cumpri-lo.

 

Estimados pares, estou com uma lesão prostática de pequena, muito pequena, dimensão, e em estágio inicial. A lesão, contudo, se pronuncia maligna e, por essa razão, decidi, dentre as várias opções que se me foram apresentadas, pela intervenção cirúrgica.

 

Em razão da descoberta e do diagnóstico precoces, caberia-me, como disse-lhes, uma série de possibilidades que não fora a cirurgia robótica, procedimento médico ao qual irei me submeter em meados do mês de agosto vindouro.

 

Essa decisão, nem sempre fácil de tomar, creiam, paradoxalmente, não se constituiu num fardo pesado de conduzir, da mesma sorte que a constatação da doença, mercê, claro, da FÉ em DEUS e da convicção de que ele está no COMANDO, fez-me quedar ou arrefeceu-me o ímpeto de trabalhar nesses últimos dias com a mesma intensidade e satisfação dos dias inaugurais da presente legislatura.

 

Sigo viagem, logo mais, com destino aos EUA, a fim de cumprir honrosa missão conferida por esta Casa, na delegação confiada por Vossa Excelência, Presidente Adriano Galdino, amigo fiel e leal companheiro, e pelo não menos parceiro deputado João Gonçalves, ilustre membro da diretoria executiva da UNALE, onde representarei este Poder na trigésima Conferência Legislativa Internacional da NCSL – National Conferece of State Legislaturas, que acontecerá entre os dias 02 a 06 de agosto na cidade de  Seatle – Washigton.

 

Pois bem; após o meu retorno ao Brasil, cuja chegada está prevista para o dia 09, procederei viagem à São Paulo, onde, sequenciadamente, me submeterei a já referenciada cirurgia, no Hospital Albert Einstein, de onde estou certo, sairei curado e sem sequelas de nenhuma natureza.

 

Destarte, parece-me irrefreável, por parte dos jornalistas que cobrem os nossos trabalhos, tão logo conclua esse breve pronunciamento, dirija-me ao Comitê de Imprensa, o questionamento quanto ao fato de que eu, em razão do exposto, deva licenciar-me, com a consequente convocação de suplente! Não, respondo-lhes de pronto e antecipadamente. Embora haja, nesse sentido, sugestão médica e amparo regimental.

 

Me farei ausente das atividades diárias desta Assembleia Legislativa e dos compromissos assumidos com o povo paraibano, através deste mandato, no mais reduzido tempo possível. E, nesse mister, parece-me razoável uma explicação: afora o fato de ter lutado muito e obstinadamente para aqui aportar, confesso-lhes que sou um trabalhador contumaz, desde os 14 anos de idade, e que dediquei toda a minha vida em defesa das causas do meu Estado e do seu consequente desenvolvimento.

 

Por isso, não seria exagerado dizer-lhes que além de ter me dedicado de forma apaixonada pelas atividades legislativas que contextualizam a nossa produção parlamentar, adoro o que faço e pretendo, com as Graças de Deus, retornar a esse plenário em brevíssimo tempo.

 

Acostumei-me, como poucos, aos embates aqui produzidos, à pluralidade das proposituras, aos antagonismos dos posicionamentos e das convicções difusas, às limitações das nossas prerrogativas, aos nem sempre compreendidos posicionamentos por setores da sociedade e até as discussões acaloradas, mas, quase sempre, respeitosas. Só uma coisa me inquieta, me incomoda e, por vezes, não me deixa calar: a inevitável convivência com a desfaçatez e com a deslealdade que, felizmente, se constituem em raridade nesta Casa.

 

Mas, Senhor Presidente, caríssimos colegas, o que desejo, hoje, além, claro, da confissão pública que fiz de um problema pessoal, motivado pelas razões já declinadas e acrescidas da responsabilidade que julgo ter na condição de Presidente da Comissão de Saúde deste Poder, é chamar a atenção dos homens do nosso Estado, notadamente os que atingiram idade superior aos 40 anos, para os riscos e a gravidade iminentes do câncer de próstata…

 

Antes, contudo, e para findar a conceituação estritamente pessoal da minha enfermidade, devo afirmar-lhes que, diferentemente do trecho da música “Noticia de Jornal” do poeta e compositor Chico Buarque de Holanda:

 

“Errou na dose,

errou no amor.

Joana errou de João,

ninguém notou.

Ninguém morou na dor que era o seu mal,

a dor da gente não sai no jornal”.

 

… Na certeza mais convicta que Deus me conforta, me abriga, me proteje – não sinto DOR -. Por isso mesmo, não busco comiseração, desejo preces. Não quero piedade humana, espero solidariedade. Solidariedade, preces e orações que aquecer-me-ão o coração no frio vale que atravessarei no bloco cirúrgico…

 

Quero, companheiros, amigos e familiares, merecer a FORÇA da FÉ do salmista Davi, que orou à DEUS, no Salmo 23,

 

mesmo que a estrada atravesse o vale da morte, não vou sentir medo de nada, porque caminhas do meu lado. Teu cajado fiel me transmite segurança”.

 

Agora, como Presidente da Comissão Permanente de Saúde desta Casa, devo me pronunciar e encetar movimentos e gestão junto às esferas públicas objetivando o maior conhecimento desse grave e aflitivo problema, bem como focar na conscientização da necessidade, para os homens na faixa etária já citada, buscarem no acompanhamento clínico a prevenção e o controle desse mal.

 

Nesse sentido, permitam-me, pois, citar uma obra que me chamou atenção nesses dias e que, com toda humildade, recomendo: “Com Todas as Letras” de Maurício Lara. Neste livro-reportagem se descreve o câncer, do ponto de vista da vítima e do cidadão comum. Nele o autor revela, sem drama, mas com sensibilidade, humor e coragem, a relação da sociedade brasileira com os tabus e estigmas que circundam a doença.

 

Sua contribuição é importante quando examina, pelo menos, quatro barreiras enfrentadas pelos homens até que eles busquem se tratar, precocemente, do câncer de próstata; quais sejam: a informação, preconceito, acesso e o medo. Não terei tempo de examinar estas barreiras. Meu alerta tem o afã de despertar toda sociedade, especialmente, os homens para que transponham estes empecilhos e previnam-se contra este inimigo comum.

 

Senão, vejamos. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) dão conta de que além do câncer de pele, o câncer de próstata é o câncer mais comum em homens. As estimativas são de que cerca de 68.800 novos casos de câncer de próstata para 2014/2015.

 

O INCA constatou que “o câncer de próstata ocorre principalmente em homens mais velhos. Cerca de 6 em cada 10 casos são diagnosticados em homens com mais de 65 anos, sendo raro antes dos 40 anos. A média de idade no momento do diagnóstico é de cerca de 66 anos.

 

O câncer de próstata é a segunda principal causa de morte por câncer em homens, seguido apenas pelo câncer de pulmão. Cerca de um homem em trinta e seis morrerá de câncer de próstata.

 

O câncer de próstata pode ser uma doença grave, mas a maioria dos homens diagnosticados com a doença, não morrem por causa dela

 

Por fim, espero em Deus a proteção divina para o enfrentamento e superação do problema, agradecendo, desde já,  aos meus queridos pais pelas orações diárias, a Iza, minha amada esposa, e todos os meus infinita e incofessavelmente amados filhos; ao Governador Ricardo Coutinho pela preocupação e conforto diários que me dispensou desde o dia em lhe dei a conhecer o problema; ao Presidente, quase irmão, Adriano Galdino; aos meus abnegados assessores que me ajudam, substancialmente, na construção desse proativo mandato e têm me consolado com orações e gestos.

 

Enfim, a todos quantos possam se somar na corrente de oração e preces que, a partir de agora espero e peço-lhes seja formada em favor de meu sucesso e saúde, os meus mais escolhidos e sinceros agradecimentos!

 

O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta.

Em verdes pastagens me faz repousar e me conduz a águas tranqüilas;

restaura-me o vigor. Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome.

Sei que a bondade e a fidelidade me acompanharão todos os dias da minha vida, e voltarei à casa do Senhor enquanto eu viver.

 

Muito obrigado! E até volta, que ensejo será breve.

Comentários

comentários