COM ÁUDIO: Delcídio aponta Marco Maia e Vital do Rêgo na pressão a empreiteiros por ‘doações’

Em depoimento nesta sexta-feira, 24, ao juiz federal Sérgio Moro, o ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT/MS), delator, declarou que o ex-senador Gim Argello (PTB/DF) pressionou empreiteiros envolvidos na Operação Lava Jato por ‘doações’ eleitorais para não convoca-los a prestarem esclarecimentos na CPI Mista da Petrobrás, em 2014.

Delcídio citou, ainda, o deputado Marco Maia (PT/RS) e o então senador Vital do Rêgo, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), como supostamennte também terem pedido ‘apoio, suporte’ para as eleições em troca da não convocação dos empresários.

Delcídio depôs como testemunha na ação penal contra Gim Argello e mais sete investigados, todos presos na Operação Vitória de Pirro, desdobramento da Lava Jato.

Na audiência, o procurador da República questionou Delcídio sobre ‘como era esse movimento’, referindo-se a empreiteiros assediados por Gim Argello. “A gente sentiu que estavam muto indignados com isso, porque aparentementre foi uma CPI na época de eleição. Aliás, determinadas CPIs normalmente aparecem na época de eleição. Esclareço que isso não é um fato isolado. existem antecedentes em que houve algum tipo de negociaçao em CPIs. O que se negociava eram doações, trocando doações para o processo político, para as eleições, em se convocando ou não para depor nas CPIs determinada pessoa, no caso empresários.”

Os empresários Léo Pinheiro, da OAS, e Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia. teriam contribuído com um total de R$ 5,35 milhões. A maior parte desse valor (R$ 5 milhões) foi repassada à Coligação União e Força, que reunia quatro partidos apoiados por Gim Argello. Outros R$ 350 mil foram parar na conta de uma igreja em Taguatinga, frequentada pelo então senador.

Delcídio disse que o lobista Júlio Camargo, outro delator da Lava Jato e seu amigo, lhe contou da pressão que Gim Argello exercia sobre empresários.

O procurtador perguntou a Delcídio. “Em algum momento Júlio Camargo disse ao sr. que Gim Argello fez pedido?”

“Disseram para mim que havia pedido, não só do Gim Argello, mas de outras pessoas, aparentemente Marco Maia e o próprio Vital do Rego que pediam apoio, suporte para as eleições em troca de eles não serem convocados.”

O deputado Marco Maia era o relator da CPMI. Vital integrava a comissão.

Delcídio declarou ao juiz Moro que soube por Júlio Camargo e pelo próprio empresário Ricardo Pessoa que ‘estaria havendo um movimento de se poupar algumas convocações mesmo com os requerimentos pautados’.

O representante do Ministério Público Federal questionou Delcídio se os empresários tinham preocupação de serem expostos na CPI. “Todo empresário tem preocupação. A CPI, por mais que não dê em nada, posso falar isso porque fui presidente de CPI, isso para as empresas, independentemente, só o fato de ser convocado e mesmo ouvindo perguntas as mais estapafúrdias, que acontecem em uma CPI, ainda mais uma CPI Mista, claro que todo empresário tem preocupação. Essa preocupação deles eu encarei com naturalidade.”

Julio Camargo fez pagamentros para Gim Argello? “Sei que o Júlio fez pagamentos. Não sei se fez o que foi pedido, mas fez pagamentos, sim. Acho que da ordem de R$ 2 milhões, aproximadamente.”

Ricardo Pessoa? “Fez. Foram R$ 5 milhões. O Ricardo estava muito injuriado com tudo isso aí.”

COM A PALAVRA, O DEPUTADO MARCO MAIA

Com relação a Delação do senador Delcídio do Amaral e que cita minha pessoa gostaria de dizer:

Que entendo a posição do MP, mas a investigação irá mostrar que sou vítima de uma mentira deslavada e descabida com o único intuito de desgastar a minha imagem e a do Partido dos Trabalhadores, o qual faço parte. Refuto com indignação as ilações ditas a luz de acordos de delação.

Fui relator de uma CPMI em 2014, onde pedi o indiciamento daqueles que me acusam, o que foi aprovado pela comissão. Foram 53 indiciamentos e mais o pedido de investigação de 20 empresas ao Cade, pela prática de crime de Cartel.

Como já havia afirmado anteriormente, não recebi nenhuma doação para minha campanha eleitoral em 2014 de empresa que estivesse sendo investigada pela CPMI.

Por fim utilizarei de todas as medidas legais para que a verdade seja estabelecida e para que os possíveis desgastes a minha imagem de parlamentar sejam reparados na sua integralidade.

24 de junho de 2016,

Marco Maia – Deputado Federal

COM A PALAVRA, VITAL DO RÊGO

Nota à imprensa do ministro Vital do Rêgo

Recebi com indignação e espanto a notícia de que fragmentos de documentos sigilosos estão sendo pinçados de uma delação premiada, de forma criminosa, e divulgados à imprensa com a deliberada intenção de atingir minha reputação e minha honra.

Quem conhece minha trajetória de vida sabe que sempre pautei as atividades públicas com estrita e rigorosa observância dos preceitos legais.

Não por acaso, durante o período em que exerci a política partidária, meu mandato sempre foi veículo de pleitos do Ministério Público, da Polícia Federal e do Poder Judiciário, cujas vozes sempre reverberei nos plenários do Congresso Nacional.

Apenas para citar um de inúmeros exemplos, combati ao lado dos valorosos membros do Ministério Público a famigerada PEC-37, que cerceava poderes de investigação indispensáveis ao trabalho desembaraçado do Parquet.

Jamais pratiquei qualquer ato que, de longe, pudesse se ultrapassar as fronteiras da ética, muito menos posso admitir qualquer ilação, por genérica ou remota que seja, de que possa ter praticado alguma ilicitude.

Não tive acesso à íntegra da delação premiada do Sr. Otávio Azevedo, contudo os fragmentos levianamente divulgados à imprensa, longe de indicarem qualquer conduta ilícita de minha parte, revelam uma clara distorção do que supostamente foi declarado pelo delator, a fim de atingir o bom nome que construí ao longo dos mais de 30 anos de uma vida pública irrepreensível e de incansável defesa do interesse público.

Sempre dirigi os trabalhos da Comissão buscando fazer valer a vontade da maioria de seus membros, inclusive abrindo mão da prerrogativa que me cabia, como Presidente, para convocação dos depoentes, a qual foi democratizada com o Colégio de Líderes dos partidos políticos.

Uma simples leitura das atas de reuniões da CPMI comprova a veracidade destas informações, demonstrando que as convocações eram previamente definidas pelo Colégio de Líderes, e só então submetidas pela presidência à deliberação do plenário; fato que por si só repele qualquer possibilidade de manipulação da agenda da Comissão.

Dessa forma, atribuem-se ilações caluniosas ao meu nome, baseadas em supostos poderes que eu sequer detinha.

Afirmo também que, como Senador e por dever de ofício, sempre mantive contatos com as mais diversas partes, sem jamais mencionar quaisquer tipos de vantagens pessoais. Em relação ao encontro referido, o próprio delator confirma minha assertiva.

Por fim, declaro que não recebi recursos da referida empresa na campanha eleitoral no ano de 2014, assim como meu irmão, Deputado Veneziano Vital do Rêgo, conforme prestações de contas devidamente aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba.

Ministro Vital do Rêgo

 

Estadão 

 

 

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